Na entrevista que concedeu ao site, Moreira falou do cenário eleitoral e da situação do MDB em Criciúma. O governador admitiu vontade de disputar vaga no senado

26/12/2018 09:55

 A poucos dias de deixar o governo, Eduardo Moreira esteve no Sul durante o fim de semana e  em entrevista exclusiva à coluna do Jornal DN e ao site, falou em especial sobre a questão política. Avaliou que dificilmente o MDB estará com o PSDB de Clésio Salvaro para as eleições municipais em Criciúma e apontou o deputado estadual Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro como o líder que pode assumir candidatura a prefeito pelo partido.

Moreira admitiu também a vontade de disputar vaga no senado em 2022. Quanto ao atual cenário estadual, o governador avaliou que a mudança levou "pessoas sem expressão"ao mandato, que terão necessidade de aprender. Mais que isso, ele declarou que caso Esperidião Amin, do PP,  tenha chance de chegar a presidência do senado, teria seu apoio.

 

Já ouvi do sr várias vezes que sairia da política. Agora o sr afirma que pretende continuar... Qual seu futuro político? candidatura em 2022?

Eu estou muito tranquilo, leve comigo mesmo. Pela minha idade, pela vida nova que eu tenho, novo casamento... Acho que contribuí muito. Não espero nada mais. Estou tranquilo para tomar decisões. Vou tirar férias prolongadas agora, fazendo algo que eu protelo há muitos anos. Morar fora, conhecer, ter novos hábitos...ampliar meu nível de conhecimento. Mas eu serei chamado de volta.

 

O sr disputaria o senado?

É algo que me seduz. Eu uso essa palavra porque não descarto mesmo. O governo sim. Já dei minha contribuição para o Executivo. O senado é algo que eu poderia contribuir muito. O senado é a Casa revisora dos arroubos da Câmara dos Deputados, que aprovam leis corporativas, de interesse de setores... e o senado tem que ser feito por pessoas experientes e sem comprometimento. O que é bom vota sim, o que é ruim vota não. Não tem que votar de acordo com A ou B.

 Santa Catarina vai ter entre os representantes no senado, Esperidião Amin, que trabalha para ser o presidente. O MDB contribui para que isso aconteça?

Eu cho que ele tem que tentar mesmo e para Santa Catarina... Veja bem, o que eu quero nessa altura do campeonato? Que Santa Catarina vá bem... eu tenho quatro filhos, seis netos e um enteado. Tenho carinho por todos e quero que o Estado seja bom. Com certeza se tivermos o presidente do senado, que seja do PP, do MDB, dos catarinenses, acho que temos que aplaudir. Porque nós sofremos um abandono, talvez a palavra certa não seja esta... o Nordeste, o Centro Oeste, São Paulo bloqueiam muito né? Porque as coisas param por lá e eles têm muitos incentivos. Então em Santa Catarina se o Esperidião Amin tiver chance de ser o presidente eu o apoiaria sem nenhum tipo de problema apesar da minha relação conflituosa com ele.

 Presidência do MDB. O sr assume?

Só se eu for chamado. Não disputarei. Acho que ninguém tem que ser reconhecido não sabe? Ah eu sou, porque eu fiz isso... acho que nesse momento você tem que ter energia, mas também experiência para mostrar o caminho. Só iria nessa condição. Não farei nenhum movimento mais forte nesse sentido acho que posso contribuir sem estar na presidência. Enfim, é algo que também não é prioridade.

 O sr enquanto Governador incentivou os prefeitos de seu partido em especial aqui na região. Mas tem Criciúma, onde o MDB desde que o sr perdeu a eleição para o Décio Góes não recupera mais a prefeitura. Como faz para reconstruir o partido em Criciúma?

O MDB não se apagou. A chama está la. Virou uma brasa mas se soprar aquilo vai queimar de novo. O MDB teve desgastes aqui na administração do Paulo Meller, que foi meu sucessor. Saí da prefeitura com índice de avaliação muito alto e consegui eleger meu sucessor contra o Altair Guidi que era uma figura importante naquela época. Houve muita exploração contra o Paulo Meller. O próprio PT fez isso. Tiveram uma estratégia. Faziam artigos e publicavam matérias mentirosas procurando desgastar a imagem do MDB. Houve arroubos assim de gente que ficou meio prepotente por causa do poder. Isso é um fato real. No fim, quando eu saí daqui que eu não me permitia isso na minha administração. Eu era o líder. Quando alguém passava  do ponto eu dizia: para com essa conversa aí. O Paulo com seu jeito mais conciliador, bonzinho, ele deixava... Então a prefeitura acabou apresentando problemas externamente por causa disso. Apesar de que ele fez uma bela administração mas politicamente houve exploração no sentido contrário e o MDB saiu desgastado.É verdade sim. Quando tivemos  a chance de recuperar com o Antonelli, também ele não tinha vocação política para o trabalho, como líder político. Ele não era um líder político...

 Mas quem é o líder que pode assumir isso agora?

Olha, o único que hoje  tem condições em Criciúma é o deputado Vampiro. Claro que se a Ada e ele se juntarem ele se fortalece. Claro que a influência de Içara, do prefeito Murialdo, do Sandro, que também têm ramificações em Criciúma.. tudo isso... é uma região conurbada acho que tem que buscar. E trazer gente nova. Porque esse calor que está dando aí do  partido do Bolsonaro também é transitório. Nós já passamos por essa situação antes.

 De que forma?

Em 2013, o povo foi para as ruas e disse assim: mudem! Foi uma manifestação espontânea e eu vi isso da minha janela em Florianópolis e fiquei impressionado em junho de 2013. Em 2014, foi reeleita a Dilma... Em 2016, a política continuou a mesma. Ninguém mudou, ninguém entendeu o recado. Aí em 2018 o povo mudou. Mudou para pessoas sem expressão, que vão ter que aprender. Não se iluda!

 

Sua convivência com o Governador eleito Carlos Moisés...

É otima. Moisés é um cara preparado. Ele agora está muito mais preparado do que quando ganhou as eleições. Ele teve esse mérito. Mergulhou no conhecimento da máquina pública porque ele tinha uma avaliação menor da atividade profissional dele. Agora não, ele está ampliando e vai ampliar cada vez mais porque todos os dias, uma administração do governo do estado ela é extremamente complexa. Você tem que ter paciência e agregar conhecimento. Moisés tem essa qualidade mas com certeza, os parlamentos aí é muita gente inexperiente.

 

 O PSL já sofreu a primeira derrota que é não ter ficado na mesa da Assembleia...

É, eu acho que eles estão impetuosos. É natural da juventude e da inexperiência. O Júlio Garcia... vê se ele foi impetuoso em algum momento? Chegou à presidência da Assembleia naturalmente, exatamente pela experiência. Eles vão sofrer derrotas indiscutivelmente e vão precisar da Assembleia Legislativa para governar.

 Voltando a Criciúma... o prefeito Clésio Salvaro é aliado ou adversário?

Ele vai buscar o que ele avalia como melhor para ele e para o partido dele. Não acredito que sejamos aliados aqui não. Acho que em Criciúma há uma... estimulado por ele e por gente do MDB também, de que somos adversários... ele já nos derrotou alguma vez mas eu também já derrotei muitos lá atrás, os outros. Isso é cíclico. Um dia essa onda acaba.Ninguém se mantém sempre assim. Mas ele é um líder importante de Criciúma como se diz, não é imbatível, ninguém é, mas ele é uma pessoa que tem importância política forte na região e acaba sendo no estado também importante.

 

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