Reitora da Unesc, Luciane Ceretta fala sobre a dívida que herdou ao assumir a Universidade, as conquistas em pouco mais de um ano no cargo e admite que pode ser candidata à reeleição

09/02/2019 09:39

A frente da Unesc desde junho de 2017, a reitora Luciane Ceretta alcança bons resultados não somente com o balanço, cujos números foram apresentados nesta semana ao Observatório Social, mas no planejamento de melhorias para a Universidade.

Com 50 anos comemorados ano passado, entre os projetos, a reformulação de currículos, internacionalização da Universidade e neste mês, o lançamento de pólo de educação à distância em Araranguá.

Com passos firmes e transmitindo segurança nas palavras, a reitora, na entrevista falou também de um assunto delicado e que ficava restrito aos bastidores: a dívida da instituição.

Admitiu que é significativa, mas garante que a Universidade respira aliviada não somente com a receita alcançada, mas com a negociação que esticou o prazo para pagamento e reduziu o valor das parcelas.

Mais que isso, a reitora já pincela o futuro. Admite que pode concorrer à reeleição para o cargo. 
 
 
Números da Unesc foram apresentados nesta semana ao Observatório Social. O que extamente foi apresentado?
Apresentamos os resultados da Universidade no ano de 2018. Iniciamos o ano de 2018 enfrentando alguns desafios próprios do cenário da educação, que repercutiram sobre a Unesc e elencamos três prioridades:Sustentabilidade financeira, excelência acadêmica e o reposicionamento da identidade da Instituição. Com relação ao primeiro item, que é a sustentabilidade econômica, concluímos o ano de 2018 com toda a reestruturação administrativa, otimização de setores, redução do quadro....
 
Quanto foi reduzido?
Reduzimos em 10% do que tínhamos...
 
Qual o resultado disso?
Com todos os ajustes que fizemos, que não incluiu só a redução de quadro mas a reestruturação administrativa, a redefinição de processos, a análise e diminuição dos contratos... então, todo esse conjunto de ações que foram desenvolvidos  nos levou a superávit importante. Nós havíamos orçado R$ 2,5 milhões de receita para 2018 e fechamos com quase R$ 6 milhões. Isso é muito positivo. Com relação a eficiência acadêmica, iniciamos um processo de reformulação da formação continuada de professores e dos currículos de nossos cursos para que sejam mais adequados ao cenário, ao mercado de trabalho...
 
O que é essa adequação? O que o mercado exige hoje?
Ele exige um profissional mais ágil, digital, tecnológico, mas com capacidade também de se relacionar bem nos lugares onde ele for, mais proativo. Então nós precisamos que nossos currículos estejam de acordo com o que o cenário nos pede. E fizemos essa reformulação até para torná-los também mais acessíveis aos nossos alunos. Concluímos o ano com três novos doutorados, que gerarão receita  para a instituição, qualificarão sobremaneira o ensino de graduação e de pós na universidade e contribuirão de modo significativo para o desenvolvimento sócio econômico da região. O terceiro item foi o reposicionamento da identidade da instituição. Então, reformulamos as estratégias, os investimentos que fazíamos em marketing e comunicação. Saímos para fora da instituição, porque nós diálogávamos muito dentro dela e observamos isso no diagnóstico que fizemos lá em 2017 quando assumimos.
 
A sra citou os desafios que a Unesc enfrentou em razão do cenário da Educação em âmbito nacional. Isso incluiu as dificuldades com bolsas de estudos do Governo Federal?
O FIES ele foi totalmente reformulado pelo governo federal, tornou inacessível às nossas universidades comunitárias... então, de fato, houve uma queda de alunos, por conta da supressão do FIES. Hoje nós só temos os alunos que já haviam obtido o FIES antes. Os que estão com o FIES agora nós não temos mais...
 
E como compensa isso?
Então, foi necessário fazer um reposicionamento. O ano pasado, ano de 2018, foi um ano difícil . Foi um ano em que o cenário político  repercutiu fortemente no nosso país, a insegurança das pessoas e das famílias e o cenáiro econômico muito preocupante. Isso nos colocou numa condição bem difícil. Como havíamos começado o ano nos preparado muito para essa otimização dos recursos da instituição, nós conseguimos concluir o ano passando por essas dificuldades um pouco mais preparados. E entra aquilo que já citei: Nós fizemos todo um reposicionamento dos nossos cursos, reduzimos quadro de pessoal, necessário por conta da situação que tínhamos, a resstruturação administrativa com diminuição de níveis hierárquicos e otimização de processos que nos ajudou muito...
 
Que situação era essa que precisava de toda essa reformulação, quando a sra assumiu a Universidade?
Nós tínhamos um endividamento muito significativo. Nós continuamos a ter, mas foi possível alongar esse endividamento. Com o superávit obtido em 2018 foi possível também quitar parte dele e esse alongamento nos permitiu reduzir à metade a parcela que tínhamos com o sistema financeiro, com o sistema bancário. Então, isso oxigenou a instituição, nos permite agora em 2019 com todo cuidado novamente, com toda necessidade primorosa de olhar o fluxo de caixa e o orçamento todos os dias e eu faço isso todos os dias, eu recebo o fluxo de caixa e o orçamento para poder organizar. Mas a situação de fato era desse endividamento, que continua presente mas nos permite saudá-lo com tranquilidade.
 
Qual a meta para 2019. A prioridade?
Manter a sustentabilidade econômica da instituição, como eu disse antes, sem a qual não conseguimos nenhum outro projeto, dar continuidade operar efetivamente a inovação curricular e pedagógica, que iniciamos, mas do ponto de vista acadêmico precisa dar sequência, a implantação dos doutorados o lançamento do pólo de educação à distância em Araranguá. Nós lançaremos agora final de fevereiro, com proposta nossa, de muita responsabilidade, com qualidade, bem elaborada, que se diferencia do que o mercado oferece, do ponto de vista do negócio.  A proposta é a inclusão das pessoas que não conseguem.
 
Quais cursos serão oferecidos lá?
Nós vamos começar agora em fevereiro com extensão e pós graduação e no segundo semestre teremos todos os tecnólogos na área de gestão. Depois vamos paulatinamente analisando e implantando de acordo com o que o cenário nos oferece. Muita responsabilidade, tranquilidade e parcimônia.
 
No cenário que enxergamos hoje, parece que não há como fugir da educação à distância...
Sim, não tem. E acho que ela como modalidade de ensino, vem para ficar. O que ela não pode ser é um balcão de ofertas a R$ 49,90. Porque o Brasil vai sentir daqui a alguns anos o reflexo dessas formações feitas assim... mal feitas, mal conduzidas, conduzidas só como negócio. Agora como modalidade de ensino, é um mecanismo  de inclusão  e de aperfeiçoamento, bem importante quando conduzido com responsabilidade excelência e adequadamente. E isso é possível. Modelos internacionais já nos dizem isso. Esse também é um ano que a internacionalização tende a crescer...
 
De que forma?
Com novos convênios internacionais ...
 
O prêmio que a Unesc recebeu na Inglaterra, tem a ver com essa plano de internacionalização?
Nos trouxe quatro convênios novos, bem importantes, a nossa relação naquele evento foi impressionante, as pessoas vieram muito conversar conosco sobre a  nossa universidade. Foi possível levá-la a outros países e as pessoas sabem quem é a nosa universidade. Até hoje recebemos contatos diretos aqui sobre o que foi apresentado lá. Foi um momento bem importante para nossa universidade.
 
Que tipo de convênio esse prêmio trouxe?
Convênios para mobilidade acadêmica e parcerias de produção científica. Com a Índia por exemplo, na área da tecnologia da informação. Nosso coordenador de curso está inclusive em contato para fazer todas essas amarras,  essas trocas.
 
Enquanto aguardava pela entrevista a recepção observei no quadro de ex-reitores que os três da Unesc disputaram a reeleição como reitores. Isso está no seu plano também?
Com muita tranquilidade te digo que estou trabalhando para concluir muito bem o primeiro mandato. E se a comunidade acadêmica entender que esse é o caminho, sim, estou preparada para isso. Não é no entanto, uma decisão individual mas da comunidade acadêmica.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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