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"Estamos mais próximos do DEM que do PSD"


01/09/2017 23:09:34

Na primeira parte da entrevista com o Governador Eduardo Moreira, publicada na quarta-feira, ele para a situação complicada em que se encontra o Estado. Apesar da capacidade de endividamento, há previsões de não fechamento das contas em 2018 se medidas urgentes não forem tomadas.

Nesta segunda parte, ele avalia também que a descentralização implantada por Luiz Henrique da Silveira perdeu toda a característica no atual governo. Na questão política, Moreira diz ser difícil a reedição da coligação PMDB com PSD mas confirma a proximidade do PMDB com o Democratas.

 O sr coloca que a economia do Estado está em situação complicada. Existe uma previsão que o sr assuma o governo. O sr assume nessas condições?

O governador não disse o dia que vai sair então essa conversa não existiu ainda. Temos que ver, conversar, fazer uma análise, ver cortes. Claro que o que for feito hoje com repercussão financeira em 2018, se o governador pensa em sair tem que conversar comigo. Porque senão eu não vou ficar só para pagar contas né?

 

Fiz uma entrevista com o deputado federal Esperidião Amin e ele classificou de achaque aquilo que ele diz ser pressão sua para que o governador saia em dezembro...

Nunca falei com o Raimundo sobre isso. Então quem está dizendo é ele, que por razões algumas não gosta de mim, e eu não gosto dele. Então não vou falar bem dele e nem ele vai falar bem de mim.

 Gelson Merísio é um adversário preocupante para 2018?

Não nos preocupa não. O PMDB tinha uma situação de risco que era a divisão interna. E essa situação foi equacionada por mim, em um gesto partidário de apoio ao Mauro Mariani para que ele tenha toda a liberdade de buscar coligações, de consolidar  o nome dele em toda Santa Catarina. Esse foi um trabalho que eu fiz de pacificação interna do partido. Então, o PMDB eliminou um problema sério que poderia ter, que é a divisão interna. A partir daí temos que buscar parceiros, coligação e naturalmente  o PP não está conosco, o PSD também dificilmente estará...

 O sr vê o PSD com o PMDB em 2018?

Cada vez mais difícil.

 Por que?

Manifestações das lideranças do PSD. Se bem que a divisão interna deles é muito evidente né? É forte! Talvez um vulcão.

 Quem define os caminhos do PSD? Gelson Merísio ou Raimundo Colombo?

Se o Raimundo quiser pegar as rédeas ele conduzirá. Depende dele querer. A decisão é dele. Porque ele é o grande líder do PSD. O Merísio fez uma votação expressiva para deputado estadual porque usou uma estrutura que nunca ninguém teve. Tinha a Assembleia inteira, tinha a Secretaria de Fazenda com benefícios que foram impressionantes por todo o Estado. Então aí é fácil fazer campanha. Mas o grande líder do PSD indiscutivelmente é o Governador Raimundo Colombo.

 Está muito evidente essa conversa de migração de líderes do PSD para o DEM para fazer um projeto para 2018...

É verdadeiro

 O DEM é um parceiro do PMDB para 2018?

Hoje mais próximo que o PSD. Bem mais próximo.

 Vocês tem conversado sobre isso?

A gente conversa com líderes que podem migrar para o Democratas sim. A conversa existe. Alguns líderes, não vou citar nomes porque política não se faz externamente senão ela não acontece nunca, mas de qualquer maneira, essas conversas existem sim.


Mas qual é a conversa? Qual o projeto?

Usando aquilo que Luiz Henrique dizia: vai passar um Rio Amazonas inteiro por baixo dessa ponte. As decisões de 2014 elas aconteceram na última semana e não será diferente agora.

 

Qual seu futuro político?

Não sei. Como não poderia te dizer o que era em 2010. Eu era candidato a governador e as circunstâncias políticas me levaram a desistir da candidatura. A única coisa que eu acho e essa é uma característica que o Sul de Santa Catarina não cultiva, é o bairrismo. O Merísio está cultivando esse sentimento lá no Oeste, diz que é a vez do Oeste agora. O Norte do Estado já teve,  governadores assim como outras regiões do Estado. O Sul nunca elegeu e eu nunca vi movimento de fortalecimanto. Parece que por mais que a gente faça... e todo mundo diz nunca ninguém levou tantos recursos e ações para o Sul quanto Eduardo Moreira...

 

Se o sr fosse eleito governador, qual seria sua primeira atitude? Do que SC precisa na sua avaliação?

Precisa reorganizar o Estado, dimunir o tamanho do Estado e priorizar o que é fundamental para o bem estar das pessoas que é saúde, educação e segurança. E diminuir o tamanho do Estado. O Estado não tem dinheiro para investir em Infraestrutura então não adianta insistir.

 

O sr fala em diminuir o tamanho do Estado mas ao mesmo tempo defende a manutenção das Regionais...

Aí é o grande equívoco isso. As regionais não tem o sentido... se você olhar a lei que foi aprovada em janeiro e fevereiro de 2003, todos os cargos comissionados que foram para as regionais existiam em Florianópolis. Não foi criada nenhuma função nova. Todos foram transferidos da Capital para o interior. O Plano 15 previa 21 Regionais. Por que foram 36? Porque a sociedade pediu. Braço do Norte eu lembro da comitiva de lideranças empresariais, comunitárias, políticas pedindo para criar a regional de Braço do Norte. Vi de Quilombo, Dionísio Cerqueira, Itapiranga, Maravilha, Palmitos, Curitibanos...

 

Mas o sr concorda que são muitas?

Claro que são muitas. mas o conceito da descentralização é evidente. O Luiz Henrique não atendia  prefeitos em Florianópolis. Quem atendia era o Regional. Quando nós tínhamos reuniões o Luiz Henrique dizia: nenhum Secretário Regional é inferior ao Secretário da Fazenda ou da saúde.Todos são iguais. O espírito da descentralização é vital para o futuro. O que acontece hoje? As decisões são tomadas no gabinete do governador. Era o que acontecia no passado.

 

Então perdeu a característica?

Totalmente.Claro que sim. É uma outra visão. Centralizada. Então, o prefeito é amigo do governador ou conhece alguém que chega no governador, vem aqui e consegue  um milhão, dois milhões, 20 milhões. Aí aquele lá que não consegue chegar no governador porque não tem um deputado amigo, não conhece ninguém dentro do Centro Administrativo, esse fica num plano secundário? Isso é um grande equívoco. Isso está acontecendo, como aconteceu no passado. A virtude do estadista é não ter medo de dividir o poder. Isso que o Luiz Henrique fez.

 

 O sr vislumbra uma candidatura ao senado?

Volto a dizer do Sul. O Sul não deveria abrir mão de ter um candidato a governador. Dentro do meu partido, temos dois ou três nomes em condições de ser... eu era um deles, abri mão disso por falta de apoio da região. Não tem sentido isso. E ser candidato a senador, seria a complementação de uma carreira política, o encaminhamento para o final de uma carreira política que bem ou mal ela teve êxitos. Mas talvez eu tenha uma missão partidária a cumprir, que seria ficar no governo até o fim, dependendo das circunstâncias.

 

Confira AQUI  a primeira parte da entrevista com o vice-governador Eduardo Moreira 

(Com foto de Jeferson Baldo)

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