Andrea Gazola Salvalaggio é a primeira mulher a assumir a CDL de Criciúma que neste ano "ressuscitou" a Megaliquidação. A promoção acontece entre os dias 4 e 9 de fevereiro
29/01/2019 11:58

Filha de comerciantes e há 28 anos a frente da loja fundada pelos pais, Andréa Gazola Salvalaggio é a primeira mulher a assumir a Câmara de Dirigentes Lojistas, CDL, em Criciúma.

O primeiro desafio é a edição deste ano da Megaliquidação, que acontece entre os dias 4 e 9 de fevereiro. Em 2018, a promoção que já era tradicional em Criciúma não aconteceu mas, neste ano informa Andréa, houve a constatação sobre a necessidade de "ressuscitar" o evento.

Pelo menos 25% dos consumidores que comparecem à cidade para a Mega são de outros municípios. Na entrevista que concedeu à coluna, Andréa fala também sobre os novos tempos para o comércio, com consumo diluído durante o ano, apesar de Natal e Dia das Mães ainda permanecerem no foco. 

 A CDL resolveu fazer esse ano a Mega Liquidação, que ano pasado não aconteceu. Qual o motivo pra se retomar essa promoção?

Nós constatamos que fez muita falta. Temos o café de ideias onde conversamos com o associado e de onde extraímos informações.  Através desse evento, tomamos algumas decisões. Chegamos a conclusão que fez muita falta.

 Por que fez falta?

Porque foi um movimento muito abaixo. Com a liquidação é possível colocar muita coisa na rua. Temos 25% do movimento da Mega comprovado através de estacionamento, que vem da região. De toda a região recebemos consumidores. Só por esse percentual já consideramos que retomar a Mega será positivo. Todos por terem passado um ano de 2018 muito difícil, esse ano estão apostando  como receptivo para essa liquidação.

Havia certa "crença" de que a Mega atrapalharia o movimento do Natal porque os consumidores sabedores da promoção aguardariam para fevereiro. Isso foi constatado? 

Existem alguns comerciantes e de certa forma até consumidores que tem essa visão mas temos que considerar que se as pessoas não vão por exemplo dar o presente de natal em fevereiro para uma criança, para um afilhado. Até pode haver certa cautela na compra, mas não vejo que chegue a ser prejudicial. O consumo é muito grande. Existem muitas pessoas e considero que há condições para as duas situações.

 Natal e Dia das Mães ainda são as principais datas para o comércio?

São. Ainda são as principais datas mas já percebemos crescimento de outras. O dia dos Namorados, que era tranquilo, dia dos avós... são  datas que estão levantando o comércio. Também há de se levar em consideração que o hábito de consumo mudou. Antigamente era muito focado no dia das mães e natal. Hoje ela diluiu um pouco porque as vezes o teu filho quer algo por exemplo, já não se espera até o natal para dar. Antes era só no natal. O consumo hoje é mais diluído durante o ano.

 Ano passado o planejamento do Natal iniciou seis meses antes. Para este ano a ideia é repetir esse planejamento?

Começamos um trabalho de natal, onde conseguimos muitos voluntários inclusive alguns estamos aproveitando na nova diretoria por ter descoberto potencial neles para fazer coisas acontecer, que pegavam junto. Essas pessoas se mobilizaram muito e conseguimos fazer um natal em 2017. Em 2018 começamos bem mas por " n" motivos , talvez o fato de o ano ter sido muito difícil tenha pesado, houve certo esfriamento. A prefeitura tomou frentes, nós nos propomos a fazer algo também mas foi um natal mais tranquilo. Eu acredito que para esse ano consigamos resgatar esse movimento até pela importância que isso tem para a cidade. Nós no entanto, somos pequenos e por isso, estamos trabalhando com outras entidades buscando auxílio.

 Que outras?

Estamos conversando com o Moacir Dagostin, da Acic. Estivemos lá esta semana e em alguns pontos eles têm o mesmo pensamento que nós. Então estamos tentando unir forças para sermos mais fortes. Essa é a ideia.

 As entidades orgnizadas também costumam se unir para reivindicações e até em época de eleições campanhas para votação em candidatos da região. A ideia é trabalhar também neste sentido junto a outras entidades?

A CDL tem uma bandeira: tudo o que é bom para Criciúma nós abraçamos. Não somos partidários. Queremos o bem da cidade, não importa quem esteja fazendo.

 Tem alguma prioridade hoje?

Na conversa que tivemos na Acic constatamos que uma das coisas que exige providências é a sinalização na Via Rápida. Nós que já sabemos o caminho, muitas vezes, voltando de Florianópolis ou Porto Alegre, acabamos nos perdendo. Então falta sinalização para as pessoas que visitam a nossa cidade, para que possam conhecê-la. Nós percebemos também que precisamos ser mais  "bairristas" mesmo. Criciúma já foi a cidade do carvão, da cerâmica... há muitos empreeendedores e estamos sempre inovando, buscando algo diferente. penso que está na hora de definir nosso potencial. Que que nós vamos ser? Que pólo nós vamos ser de novo?

 Você citou algumas vezes que 2018 foi um ano ruim. O que significa um ano ruim?

A economia. Mas além disso, o emocional das pessoas estava muito abalado. Não havia uma expectativa. Com a virada de governo, criou-se uma luz, digamos assim. Já percebemos um natal melhor, com as pessoas mais tranquilas, mais felizes, com otimismo. Agora é esperar que o governo faça sua parte e nós vamos continuar fazendo a nossa.

 Você é a primeira mulher a assumir a CDL de Criciúma. Isso implica em mais ações voltadas às mulheres? Qual o planejamento?

Eu espero que eu como mulher possa ficar pelo menos como exemplo para outras terem coragem de assumir desafios. Eu não procurei isso, não entrei na CDL para ser a presidente. Fui porque é meu dia a dia, gosto de estar envolvida com as ações referentes ao meu trabalho e de certa forma me destaquei. Julgaram que meu nome era importante então resolvi assumir o desafio.

 Há no cenário moderno certa prioridade aos shoppings centers até porque questão também de segurança e outros fatores. O comércio de rua está ameaçado?

Não. Penso que em tudo existe transformação e Criciúma tem uma característica diferente. O metro quadrado mais caro da cidade está a cem metros da Praça Nereu Ramos. Quem mora ali, desce, deixa o carro na garagem e quer vir para a Praça. Nosso sábado é diferenciado e isso não podemos perder. O shopping é importante assim como a Praça também é. Há espaço para ambos.

 

 

 

 

 

 

 

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