15/07/2019 08:57

mbimPara os que, encarregados de governar a república, fazem das funções públicas um meio de enriquecer, cometem a coisa mais indecorosa, a mais desprezível, a mais criminosa para um homem público. Para os chefes de Estado, nada mais fácil para conquistar a benevolência do povo que a integridade e a renúncia. Quanto àqueles que, para serem populares, propõem leis que expulsaria os proprietários de suas terras, abalam os dois principais fundamentos da república, ou seja, a concórdia dos cidadãos, que não subsistiria quando se perde um bem ao credor para gratificar o devedor, e a justiça, que é derrubada pela violência, desde que ninguém possa estar seguro do que é seu. Como já se disse, é da essência de toda sociedade, de todo Estado, que cada um possa possuir, com segurança, o que é seu, sem temer que se lhe tire.

Outra coisa que se deve notar é não recorrer aos impostos, como se tem feito, para entregar à corrupção, determinando-se, assim, a exaustão do tesouro nacional. Afinal, os que governam a república devem ter muito cuidado para que haja disponibilidade de coisas imprescindíveis à vida, detalhe conhecido de todos.

As palavras acima são bem atuais e adequadas às situações vivenciadas neste País, na sua história recente. Contudo, foram escritas por Cícero (106-43 a.C.), escritor e cônsul romano, falando da república de Roma...

Neri Trombim

Advogado em Criciúma

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