O deputado federal acusa o "centrão" de chantagem para aprovação da Reforma da Previdência e chama atenção para o fato de colegas de Casa que discutem o assunto estarem no Regime Especial para deputados. "eu acho que temos que começar cortando na nossa própria carne", avalia.
11/05/2019 10:02

Na entrevista que concedeu ao site, o deputado federal Daniel Freitas, do PSL, que faz parte da Comissão Especial da Previdência, avaliou como “chantagem”  atitudes dos deputados do chamado “centrão”. Disse que de fato, houve condicionamento da saída do Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Justiça, com a aprovação da Reforma. Freitas disse ser totalmente contrário a migração do Coaf para o Ministério da Economia e que os deputados do PSL seguem na mesma linha. Mais que isso, Freitas informa que a maioria dos deputados que criticam a Reforma estão no regime Especial para deputados.  A gente vê deputados do PT, a maioria deles, quase 100% deles hoje estão no regime especial para deputados...  e a maioria deles discute a previdência mas no deles não mexe", alerta.

O sr faz parte da comissão especial da Previdência, que fez mais uma reunião nesta semana. Qual a sua impressão quanto ao andamento do projeto. Será de fato votado no primeiro semestre como o previsto?

Primeiro ressaltar que essa não é uma prioridade só do governo Bolsonaro nem dos nossos parlamentares da base ou de oposição. Hoje, 59% da população já aprova a nova previdência e é pensando no futuro dos nossos filhos que estamos lá hoje lutando para cumprir com os prazos. Acredito sim que ainda no primeiro semestre consigamos despachar esse projeto da Câmara dos Deputados e acredito ainda na aprovação. O Fiel da balança hoje é o Centrão. Temos uma oposição que desde a CCJ onde estávamos discutindo só a admissibilidade da proposta vem anunciando e usando todas as ferramentas de obstrução possíveis e não escondem que é meramente politica...

O “ Centrão” , nesse momento faz papel de oposição, se levarmos em consideração a pressão que fazem em cima do Governo?

O “Centrão” é um fiel dessa balança e na verdade tem a consciência e a responsabilidade  da Reforma da Previdência e sabem também do peso que têm na aprovação dessa reforma. É uma Casa Política e dentro desse jogo político obviamente eles vão saber jogar. Eu espero que a responsabilidade deles seja exercida, dentro dessa comissão especial. Nós temos aí já três reuniões realizadas da CCJ,  inclusive a segunda com o Ministro Paulo Guedes que durou praticamente nove horas, com o objetivo de exaurir dúvidas. Questões que a oposição tinha para levantar, que a situação tinha para levantar. Porque até nós da situação temos questões que temos até a décima sessão da Comissão para inclusão e emendas e modificações nessa proposta.

O sr tem proposta de emenda?

Estamos fazendo em conjunto eu, a deputada Geovânia de Sá e o deputado Ricardo Guidi em relação a aposentadoria dos mineiros. Nesta semana pretendemos apresentar nossa proposta pra ver como será essa questão das aposentadorias especiais.

 

Pelo que o sr percebe nessa movimentação do “Centrão”, o governo terá que ceder mais ou hoje já têm os votos para aprovação?

Acho que a experiência que tenho com dois mandatos de vereador e agora como deputado federal me mostraram que cada situação é diferente uma da outra. Quanto acontece uma chantagem, não necessariamente tem que se ceder agora para depois acontecer aquilo que estão dizendo. No caso do “Centrão” nós temos o exemplo da COAF, algo que está sendo retirado do Ministro Sérgio Moro, algo que eu e o PSL consideramos um absurdo e nós vamos nos manter fiéis ao que o Brasil precisa, que é a COAF sob o guarda-chuva do Ministro da Justiça. Essa é uma condição que o “Centrão” está colocando, dentro dessa linha da responsabilidade de aprovação da Reforma da Previdência, de que o governo Bolsonaro precisa deixar que a COAF saia do Ministério do Sérgio Moro para que eles aprovem a Previdência.

Isso é uma chantagem?

Isso é uma chantagem. Só que o povo brasileiro não vai permitir, eu como parlamentar, no que cabe a mim não vou permitir e vamos lutar até o final para que a COAF fique onde tem que ficar, com o Sérgio Moro, e que isso não impacte no posicionamento do “ Centrão” na Reforma da Previdência. O que a oposição sabe é que se aprovar a Reforma da Previdência o Governo do Bolsonaro vai bem e o Brasil vai bem. Eles não querem isso e agora a gente espera e conta com a responsabilidade do “centrão”.

O deputado Paulinho da Força chegou a afirmar no dia do Trabalhador a discussão de uma “Reforma desidratada” para evitar a reeleição de Bolsonaro. Isso é a prova dos motivos pelos quais a oposição tenta barrar a Reforma?

Com certeza. Só esse ano já foi investido em previdência sete vezes mais do que foi investido em educação, quatro vezes mais do que foi investido em saúde. Mais de 50% dos gastos do Governo Federal são com Previdência. Nossa previdência está errada do começo ao fim. Cheia de privilégios. Essa nova previdência vem para diminuir privilégios. Hoje, mais de 80% dos trabalhadores brasileiros estão aposentados com menos de dois salários mínimos então essa previdência ela vem para equalizar isso.

Ministro Paulo Guedes afirmou que a Previdência hoje é privilégio dos mais ricos, que são mais favorecidos que os mais pobres. O sr conseguiria resumir o significado dessa afirmação?

Vamos imaginar uma pizza: 40% dessa pizza hoje está indo para uma classe mais beneficiada, cerca de 8 a dez milhões de brasileiros, principalmente funcionários públicos que são aposentados com altíssimos salários. E apenas 3% dessa pizza está indo para a classe mais pobre da população. Está aí o resumo do que o Paulo Guedes disse.

Mas o que muda por exemplo nessa questão do funcionalismo público? Reduz a aposentadoria com as novas regras da previdência?

Temos um teto, e o direito adquirido e agora temos que adentrar na Comissão Especial para destrinchar tudo isso. Mas a ideia agora é acabar com privilégios, inclusive dos políticos, que é uma incoerência total. A gente vê deputados do PT, a maioria deles, quase 100% deles  hoje estão no regime especial para deputados. Eu por exemplo, abri mão desse regime e a maioria deles discute a previdência mas no deles não mexe então, eu acho que temos que começar cortando na nossa própria carne. Essa é a idéia da nova previdência.

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