O sentimento de que o " o PT não pode voltar", enfatizado inclusive por outros candidatos, como Geraldo Alckmin, do PSDB, pegou na campanha eleitoral e é um dos fatores do crescimento de Bolsonaro
03/10/2018 08:44

A pesquisa DataFolha de intenções de votos para a presidência da República, divulgada ontem, confirmou o que havia previsto a do Ibope, na segunda-feira a noite. O candidato do PSL, Jair Bolsonaro apresentou crescimento, enquanto o candidato do PT, Fernando Haddad, estacionou. Bolsonaro tem segundo o DataFolha, 32% das intenções de voto contra 21% de Haddad.

Na pesquisa do dia 28 de setembro, no mesmo instituto, Bolsonaro tinha 28% e Haddad 22%. Talvez a estratégia de Haddad, de visitas frequentes ao ex-presidente Lula na cadeia, atrelando diretamente sua imagem a dele, que estava bem no cenário eleitoral, segundo pesquisas, não tenha surtido o efeito esperado.

O discurso de que Bolsonaro é o "único em condições de evitar a volta do PT", aliado a imagem de Haddad "colada" a de um presidiário, pode ter contribuído com o resultado nas pesquisas. Mais que isso, a movimentação #elenão, que saiu as ruas no fim de semana também pode ter resultado em "tiro no pé" dos defensores de Haddad.

O movimento #elenão envolveu inclusive artistas, que receberam duras críticas, principalmente os envolvidos com recursos públicos oriundos da Lei Rouanet. A reação dos que não concordam com o "jeito PT de governar" é mais silenciosa, com menos barulho nas ruas mas mostra o resultado em números, provocando uma onda que começa a tomar forma no cenário do país.

Outro ponto que pode ter surtido efeito na pesquisa, realizada ontem, foi a divulgação da delação premiada de Antônio Palocci, acusando Lula de saber de desvios praticados na Petrobrás e acusou gastos da campanha de Dilma Roussef acima do que foi declarado à Justiça Eleitoral.

Pode ter pesado também neste contexto, o fato de o  ex-presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, fazer parte da cúpula da campanha de Haddad, candidato do PT à presidência. Lula e Dilma afirmam que Palocci mente mas, o efeito da delação interfere na questão eleitoral.

Com tempo de TV reduzido, sem poder sair as ruas devido a um atentado, e em um partido pouco conhecido, Jair Bolsonaro pode tronar-se um fenômeno eleitoral.

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