Em entrevista exclusiva ao site, o ex-governador Eduardo Moreira fala também do comportamento do deputado Vampiro e antecipa que com a desistência da senadora Simone Tebet, de concorrer a presidência nacional do MDB ele não vai comparecer a convenção
20/09/2019 20:59

Na entrevista exclusiva que concedeu ao site, o ex-governador Eduardo Moreira ao avaliar o governo de Carlos Moisés enfatizou que a administração colhe o que foi plantado por ele e por Raimundo Colombo e cita inclusive  o incremento na receita neste ano, de R$ 2 bilhões, pelo que foi feito com repercussão em 2019.

Moreira falou também do comportamento do deputado Vampiro na última semana em Criciúma, com discurso favorável a Moisés e crítica velada aos governos anteriores por buscar empréstimos. O ex-governador lembrou que a Via Rápida não existiria e disse com todas as letras que Paulo Meller é que foi o grande responsável técnico e “tinha que ser reconhecido”. “O  Paulo foi tão humilde  que deixou que o Vampiro capitalizasse todo o ganho político para facilitar a sua eleição para de deputado estadual. Então não pode haver crítica a aquilo do que ele se beneficiou”, concluiu. Moreira disse ainda que após a desistência da senadora Simone Tebet, de concorrer a presidência do MDB nacional, ele apesar de ser delegado, não vai comparecer a convenção nacional do partido.

 

O Sr já chegou a informar em entrevista que o MDB nacional precisa de mudanças sob pena de o Sr mesmo não permanecer militando. O fato de a Simone Tebet ter desistido de concorrer piora essa situação? 

 Com relação a Simone Tebet ela era uma expectativa muito favorável de mudança que nós poderíamos ter no MDB nacional. Pela postura ética, pelo passado familiar do pai dela que já foi presidente do Senado, Ramez Tebet, ela própria sempre com uma postura muito correta, seria uma mudança importante no jeito de fazer política do MDB nacional. Ela se omitiu também, essa é questão. Ela não quis entrar numa dividida com o deputado Baleia Rossi, de São Paulo, que infelizmente tem uma história partidária vinculada a essa forma antiga do MDB. O pai dele foi ministro da agricultura da Dilma, indicado pelo Michel Temer então há um vínculo muito forte com esse pessoal de São Paulo. Eu acho que era hora de tentar dar uma sacudida. Vai ser um problema para nós, realmente continuar com esse time comandando o MDB nacional e desestimula a militância sim, porque fazer política é cansativo. Você tem que estar motivado, energizado e essas questões definidas a nível nacional... Tanto que eu sou delegado a convenção nacional, tenho direito a voto e eu não vou. Porque não tem o que fazer lá com essa decisão já tomada.

 

Como líder de peso do MDB , O Sr esteve em Criciuma há alguns dias e tratou da situação do partido na cidade. O Sr teve participação nas decisões que foram tomadas como a carta para a liberação do vereador Ademir Honorato?

 A situação do MDB de Criciúma me preocupa bastante até porque foi o único partido que fui filiado, que militei, eu sei que ajudei a tornar o MDB de Criciúma forte. Nós tínhamos bandeiras, tínhamos ideais, tínhamos trabalho. Eu me lembro que eu era deputado federal e o Lírio Rosso era estadual e os gabinetes dos dois deputados existiam também para fortalecer o partido. Nós tínhamos pessoas do meu gabinete e do gabinete do Lírio que faziam pesquisas com questionários feitos por nós, e quando chegávamos em Criciúma, eu morava em Brasília, nós tínhamos um relatório, tínhamos sugestões e idéias a respeito do que fazer para  o fortalecimento do partido. Tanto que ficamos extremamente fortes a partir desse movimento e o MDB acabou ganhando muitas eleições. Havia o trabalho de aglutinação. Hoje, cada um que detém o mandato deputados inclusive, os vereadores, eles vivem em função do fortalecimento do seu mandato buscando apenas a reeleição, não há um trabalho de fortalecimento do partido. Por isso a preocupação. E é claro, o Ademirzinho que nós ajudamos a eleger, o meu irmão trabalhou pra ele, pessoas próximas de nós, o Paulo Meller, não queríamos que ele saísse até porque ele tem um mandato muito correto, pró-ativo, firme em defesa de seus ideais e o MDB abre a porteira para ele ir embora ao invés de trabalhar para ele ficar. Eu fui aí, falei com ele: Ademir não é momento, o PSL, partido do Bolsonaro é um partido instável, daqui a pouco não existe mais, como o PRN do Collor também não existe mais então não te precipita... ele ficou de aguardar uma nova conversa e dois dias depois o partido dá a carta de alforria. Então é difícil né essas tomadas de decisão por poucos aí, sem ouvir aqueles que tem mais experiência. Eu me julgo um daqueles que tem experiência nesse processo político

 

O Sr também pediu que o advogado Jefferson Monteiro permanecesse mais tempo na sigla. Como o Sr avalia o fato de uma semana depois ele ter deixado a sigla? Foi descuido das lideranças locais?

 Jefferson Monteiro ele era filiado ao partido há muitos anos mas ele não tinha uma militância. Eu me lembro que quando eu surgi, pela primeira vez em 1986, para ser candidato a deputado federal, apesar de em 82 ter sido cabo eleitoral do Zé Augusto, da então candidata a vereadora  Dizelda Benedet, do Jaison Barreto candidato a governador, em 86 quando eu me filiei houve muitas resistências ao meu projeto. O Walmor de Luca, recentemente falecido, tivemos grandes desentendimentos, depois viramos grandes amigos ele era indiscutivelmente um grande conselheiro. Política é assim, não podemos fazer a ferro e fogo. Então o Jefferson Monteiro teria que ser atraído, discutido e lá na frente avaliar se ele poderia ser candidato a prefeito ou não. Então mais os movimentos foram evidentes de foco apenas na eleição proporcional e isso de alguma forma deixou as pessoas indecisas de ficar em um partido que não tivesse um projeto mais efetivo. Então é isso que tá acontecendo. Acho que está faltando os mais experientes participarem, serem ouvidos e serem entendidos de que o tempo a experiência são fundamentais inclusive nas renovações.

 

Semana passada repercutiram as declarações do deputado Luiz Fernando Cardoso, do MDB, sobre o governo Moisés e mais que isso, uma certa crocitos velada à governos anteriores quando a realização de obras. Como o Sr interpreta a atitude?

 O problema do Vampiro na verdade é que ele não se elegeu sozinho né? Ele sabe o que pessoas fizeram para ajudar na eleição dele, muito inclusive. Essas decisões, ele não fala como deputado, ele é líder de uma bancada. A partir do momento que ele faz aquelas manifestações, isso gera certa intranquilidade em todas as pessoas... as críticas que eu tenho ouvido e tá na rede social interna do partido aqui, dos coordenadores do partido, dos membros do diretório a crítica é essa entrega do MDB ao Governo Moisés. Então foi uma atitude  isolada que ele não deveria ter feito dessa forma pública, porque ele é líder de uma bancada, a maior bancada da Assembléia Legislativa e isso tem repercussão. Então aí já estão dizendo de brincadeira nas redes sociais tirando a máscara do Moisés e está minha cara embaixo havendo uma interpretação equivocada. Eu falei com o Moisés  uma vez esse ano. Uma vez. O Governo Moisés tem recursos hoje é porque eu deixei. Falei com o Paulo Eli ontem. A receita esse ano será de R$ 2 bilhões a mais por aquilo que fizemos o ano passado com repercussão em 2019.Então tem que haver o entendimento e o agradecimento. O Estado de Santa Catarina não começou nesse governo. Agora o próprio Moisés está buscando recursos para financiamento. Aqui a SC 401, recursos do BNDES, acesso ao Distrito Industrial de Joinville recursos do BNDES. E aí há críticas ao financiamento se eles próprios estão fazendo financiamento né? Nós não teríamos a Via Rápida... E a Via Rápida de Criciúma, o Paulo Meller é que foi o grande responsável técnico por ela existir, tinha que ser reconhecido e o Paulo foi tão humilde  que deixou que o Vampiro capitalizasse todo o ganho político para facilitar a sua eleição para de deputado estadual. Então não pode haver crítica a aquilo do que ele se beneficiou e hoje, todos os poderes públicos municipais, estaduais e o Governo Federal buscam financiamentos todos os dias então é assim que se consegue avançar o estado. Mas está tudo sob controle, não falei com o Vampiro ainda, o MDB vai continuar seu trabalho. Realmente está extremamente motivado. Eu fui semana passada na reunião dos prefeitos e vices em Jaraguá do Sul. O presidente Celso Maldaner tem dado agilidade e motivação impressionante ao partido então eu estou otimista. Acho que apesar dessa situação nacional o MDB de Santa Catarina continua forte e se fortalecendo inclusive.

 Sua avaliação sobre o atual governo estadual:

 O governo Moisés o que ele está fazendo é colhendo o que deixamos plantado, tanto o Raimundo quanto eu. Muitas coisas plantadas e encaminhadas que aconteceram. Daqui a pouco vão dizer que a Ponte Hercílio Luz é obra dele e se essa obra tem um responsável chama-se Raimundo Colombo. Esse é um pequeno exemplo. A estrada ali que foi inaugurada em Nova Veneza na semana passada, ali foi o início com o Raimundo Colombo, eu ano passado reabri o convênio e repassei recursos e ele concluiu esse ano. Então, o Estado é dinâmico não fica apensa dentro de um mandato as obras, ações e realizações. Então, é um governo que está em curso sem grandes sobressaltos mas também sem grandes conquistas. As conquistas que existiram, elas foram deixadas do ano passado e tá havendo pouca cobrança também. Talvez por isso as coisas não apareçam de forma clara. Não há uma oposição. Começou agora com o Merísio numa entrevista que deu enfim... dizer que a venda do avião é uma conquista do Governo? Isso é muito pequeno para Santa catarina. A ausência de uma avião impede que o governador se desloque, que esteja em São Miguel do Oeste, em São Lourenço do Oeste, em Dionísio Cerqueria na fronteira com a Argentina, que no mesmo dia esteja no Sul do estado e no Norte como tantas vezes foram feitas. Então isso não é uma conquista, é uma decisão pessoal. É uma economia que não reflete no dia a dia do Estado mas na ausência do Governador em outras regiões.

 Sua avaliação do Governo de Jair Bolsonaro

Na questão do Bolsonaro vamos dizer o seguinte: para fazer o omelete você tem que quebrar os ovos. Eu diria que a eleição do Bolsonaro foi quebrar os ovos. Agora está sendo  feito o omelete. Eu acho que ele é governo para um mandato só. Ele vai criar toda essa celeuma e outro com mais competência vai organizar porque eu espero que o Brasileiro possa sair um pouco dos extremos. Nas vezes que nós fomos nos extremos acabamos não dando certo. E tem uma frase do Dr Ulisses que eu repito muito que ele dizia que a história não dá saltos e quando dá saltos não termina bem. Então ela deu um grande salto agora com o Bolsonaro, esperamos que ele conclua seu mandato e que o Brasil busque uma outra alternativa de governo. Acho que já experimentamos todos os tipos de presidencialismo. Acho que é a hora de o Brasileiro pensar firmemente no parlamentarismo. Algo melhor que já deu certo em outros países do mundo em que a estabilidade de um governante pode ser contida pelo parlamento, por novas eleições parlamentares como acontece e está acontecendo em Israel, duas eleições em seis meses e o país continua. O Brasil precisa se modernizar. O presidencialismo arcaico aqui quando a gente erra são quatro anos de sofrimento. Tivemos poucos presidentes concluindo seu mandato. Mas acho que o Bolsonaro era necessário essa mudança. Mas espero que no próximo mandato venha alguém com melhor equilíbrio para conduzir melhor o país

 

 o Sr falou do foco do MDB de Criciúma em candidaturas proporcionais e isso já foi percebido aqui... nos faz pensar que o MDB pode não ter candidato a prefeito? O Sr comunga dessa tese? De ano que vem o partido não concorrer à prefeitura?

 Eu acho que o MDB deve ter candidato a prefeito, esse é o objetivo. Acho que as questões políticas têm que ser analisadas no seu tempo e agora a candidatura a prefeito é algo que deve ser querida, percebida, como importante para o partido. Se lá na frente resolver uma composição pode ser até justo, mas no momento temos que perseguir essa posição de ter candidato sim. Agora, se nós tínhamos o Jefferson Monteiro que queria ser candidato, hoje eu não vislumbro nenhum outro nome. Espero que quem sabe o Vampiro que é deputado no segundo mandato, possa apresentar seu nome. Seria o nome mais forte que o MDB tem nesse momento mas poderíamos buscar outras alternativas. Nós tínhamos uma e nesse momento ficamos sem nenhuma.

 

 

 

 

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