Presidente do PSD, deputado Milton Hobus informou que pré-candidatos ao governo em 2022 estão tentando "cooptar" lideranças do PSD na tentativa de fragilizar o partido
20/04/2021 19:10

Presidente estadual do PSD, deputado Milton Hobus informou na entrevista que concedeu ao blog, que pré-candidatos ao governo em 2022 estão tentando "cooptar" lideranças do PSD na tentativa de fragilizar o partido. Entre os citados o ex-deputado Gelson Merísio e um senador não nomeado com todas as letras por Hobus.

Na entrevista, o presidente estadual do PSD citou o prefeito de Chapecó João Rodrigues na lista dos pré-candidatos ao Governo, disse que a prioridade não é aliança e revelou que defende que partidos disputem eleições com chapa pura. Hobus também enfatizou a união dos pré-candidatos em torno de projeto que visa a discussão das necessidades de cada região do Estado com a elaboração de planejamento para um eventual governo.

A prioridade é o investimento maciço em infraestrutura com enxugamento da máquina pública.Milton Hobus admite também que o episódio do afastamento do deputado Júlio Garcia ocasionou certa instabilidade no PSD.

O PSD tem alguns nome colocados no cenário como pré-candidatos ao Governo. O sr também é pré-candidato?

Nós consensamos algo importante no partido, com todas as nossas lideranças. O PSD terá um candidato a governador ou governadora, porque está aberto, o partido quer discutir um projeto de estado, que não é um projeto da eleição desse ou daquele. Isso é muito diferente e muito importante nos dias de hoje. Isso criou um clima diferenciado até dento do nosso próprio partido. Então hoje nós temos o nome do Napoleão, que é um ex-prefeito reeleito de Blumenau, que fez uma excelente gestão, então tem experiência, tem juventude. Temos o ex-governador Raimundo Colombo que dirigiu o nosso estado no período mais crítico da economia brasileira e o estado ficou de pé e avançou, e tivemos aqui os melhores números comparativos do Brasil, então é uma liderança importante que está ajudando nesse processo também. Temos o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, que é uma liderança nata do nosso partido, que recuperou os  direitos políticos justamente e que hoje faz um trabalho reconhecido pelos catarinenses lá em Chapecó e que o nome dele tem que ser ventilado também, já que temos um projeto para o estado e não um projeto pessoal. Temos aqui a Adeliana Dal Pont que foi duas vezes prefeita de São José, fez o sucessor. Então tem um capital político e de experiência em gestão também muito importante. E  o nosso nome, que colocamos à disposição do partido para ajudar nesse processo, sem nenhuma ambição pessoal de sermos candidatos ou não.

Quando o sr fala em discutir o estado, o que o sr quer dizer?

Muito simples: o que acontece normalmente na política? O que a gente tem visto? A gente tem visto partidos se articulando em busca de alianças políticas, quer dizer, tentar formar frente política para poder vencer uma eleição. Isso não pode ser prioridade. Os partidos políticos tem que entender que a população espera um debate construtivo de princípios, de valores, de direcionamento do estado e é isso que a gente quer discutir muito francamente. Por exemplo: o estado de Santa Catarina é cantado em verso e prosa como o melhor estado do brasil. Sua economia é diversificada, pujante. O índice de desemprego é um dos melhores do Brasil, só que estamos fadados a sofrer uma reversão muito grande, muito rápida no nosso Estado…

Por que?

Porque o Estado é geograficamente muito pequeno e tem alicerçado uma grande parte do seu PIB no agronegócio que está lá no Oeste meio Oeste de Santa Catarina, principalmente as agroindústrias, com custo de logística que é impagável. O estado de Santa Catarina está se tornando um estado muito caro. Hoje nós temos o maior custo de transporte e logística do Brasil. Com todos os portos que temos aqui. Porque as nossas artérias principais que são as rodovias federais já estão há 20 anos atrasadas porque o Governo Brasileiro, por nos achar ricos não investiu em Santa Catarina. Tiradas as obras que vieram lá do regime militar e as obras que o Governador Raimundo Colombo fez e que o Luiz Henrique fez dos acessos nos municípios nós não tivemos grandes obras estruturantes em  nosso estado. E nós precisamos encurtar distâncias e criar rotas alternativas e de desenvolvimento. Se não fizermos isso nós vamos asfixiar.

Mas então os sr está falando de um plano de Governo?

Um debate de Estado. Isso tem que ser um debate de estado. AS população em cada região ela conhece as suas dificuldades…

O sr está falando de descentralização também…

Também , também. Nós precisamos de governantes que conheçam o estado, que tenham condições, idoneidade para fazer uma gestão pública e não tenha medo de enfrentar os paradigmas que é você diminuir o tamanho do estado para poder investir mais em infraestrutura e permitir que o estado continue se desenvolvendo.

E como se diminuiu o tamanho do estado?

Cortando aquilo que o estado não precisa carregar.

Por exemplo…

Por exemplo, secretarias e órgãos… dou um exemplo: SCPar. O que a SCPar fez até hoje? Quanto ela custa para o estado? Tem que ter coragem de terminar …

E  essa é a proposta que o PSD apresenta?

É isso que o PSD quer discutir com o povo catarinense em cada região. A população tem que saber claramente que a hora que ela escolher um governador do PSD, seja qual for desses nomes que nós citamos, ele vai estar preparado, e tem um time de grandes prefeitos espalhados pelo estado, de gente que está fazendo boa gestão pública… saber corretamente que o estado vai caminhar numa direção de enxugamento, de busca de eficiência, de utilização das novas tecnologias de informação para você diminuir peso do estado e que o estado terá um plano de investimento maciço de infraestrutura. Só assim vamos colocar o estado em uma rota futura de crescimento econômico.

Vocês já iniciaram essa discussão com as regiões?

Já, já estamos fazendo, Nossos líderes estão percorrendo o estado, levando essa mensagem, que é uma mensagem de união, dizendo para todos que nóis vamos escolher o candidato a governador no início do próximo ano…

Como vai ser essa escolha? Qual o critério?

Essa escolha vai ser feita primeiro ouvindo o partido, os nossos prefeitos as nossas lideranças e tendo um feed back da sociedade em função de todo um planejamento que nós temos e que vai ser crescente no segundo semestre com a diminuição dos critérios da pandemia que impedem um pouco reuniões e etc. A gente espera que isso melhore um pouco até para que esse contato mais pessoal seja mais rico em informações e isso nos permita no próximo ano uma escolha correta do melhor nome.

No início da entrevista o sr falou que partidos já estão em busca de alianças e que o PSD que percorrer um caminho diferente. A intenção é uma chapa pura do PSD em 2022?

O PSD tomou uma decisão, e é uma decisão de todos os nossos líderes, que nesse momento não se discute alianças e que eventual aliança só será discutida se algum partido compartilhar com essas ideias sem imposições. Imposições de ocupar lugar na chapa, imposições de troca de cargos. Temos que acabar com isso. Então prioridade não é aliança política. Se necessário for, temos um time experiente, preparado, capaz, para disputar a eleição de chapa pura. Eu particularmente defendo isso. Que os partidos tem que disputar a eleição se preocupação de aliança., mostrar o que tem, quem são e o que podem fazer pelos catarinenses. E esse é uma debate democrático justo e com certeza facilitará a boa escolha do eleitor catarinense.

Estamos passando por um processo no Governo do estado até com certa insegurança porque o governador já foi afastado duas vezes. Como o sr avalia esse momento?

Isso é fruto das escolhas. Por isso queremos debater isso com o povo catarinense. Sem demérito ao Governador e a vice eleita, mas as suas escolhas foram totalmente no escuro. O povo não sabia em quem estava votando. O povo não sabia o que poderia esperar de um governo que não debateu com a sociedade. Não apresentou projeto de governo. Eu fui muito crítico aqui nos dois primeiros anos cobrando: por favor governador Moisés, apresente para Santa Catarina um projeto de crescimento para o estado. Nós precisamos saber o que vai acontecer na infraestrutura, na saúde, na educação … nós não tivemos isso. E até compreensível hoje porque de verdade esse projeto não existia. Ele tinha que ser construído por alguém que não esperava, nem sonhava em ganhar a eleição para o Governo do Estado.

Mas ele ganhou, o sr considera que ele deve que terminar o mandato?

A Assembleia fez sua parte, temos uma comissão mista que vai julgar… o que eu sei hoje é que essa instabilidade é muito ruim. Você tem governo, não tem governo. Um dos dois vai ter que terminar o Governo e eu espero que isso se defina o mais rapidamente possível. E seja quem for que ficar, que mantenha uma relação de respeito com a sociedade catarinense como um todo, com os poderes constituídos para que todos nós possamos ajudar o estado nesses dois anos que faltam para terminar o governo.

O PSD tem uma liderança forte que acabou afastado em razão de questões com a justiça . O que ouvimos muito nos bastidores é que o partido enfraqueceu com esse episódio. O partido de fato enfraqueceu?

Existe um momento de instabilidade política geral. O que a gente sente, o deputado Júlio Garcia é um grande líder. Era presidente da Assembleia Legislativa e com relacionamento fantástico com todos os deputados, com todos os prefeitos e lideranças de nosso partido. Normal que todos sintam isso. Temos um líder fragilizado e na minha opinião injustamente, mas isso é a justiça que vai determinar. Ele vai poder apresentar suas provas e fazer sua defesa. Isso deu uma certa instabilidade. E temos também outros partidos fazendo um trabalho de cooptação fantástica, principalmente em cima dos nossos prefeitos.

O que quer dizer esse trabalho de cooptação?

Começou lá no próprio Governo Moisés, que eu denunciei e isso é público, a tentativa de compra de passes de prefeitos nossos, do PSD, para se filiarem ao então PSL em troca de convênios com o estado, em troca de dinheiro para a campanha de reeleição e assim por diante. Isso eu fiz a denúncia. E hoje a gente vê um senador, que é pré-candidato a governo fazendo a mesma coisa. Indo em cima das nossas lideranças que são fortes, oferecendo convênios com Brasília para que possa fragilizar o PSD que sabe que terá candidatura forte. Nosso partido é forte e os líderes são fortes e estão preparados para fazer um grande debate no estado. Temos um outro pré-candidato, que foi o nosso candidato na vez passada, o Gelson Merísio, fazendo a mesma coisa. Tentando atrair lideranças de nosso partido então isso cria um momento de instabilidade.

O Gelson Merísio é um adversário?

Como o PSD tem a definição  que terá candidato, todos os possíveis pré-candidatos são adversários e o Merísio é um adversário.

(Com foto/Agência Alesc/Divulgação)

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