Delegado do Sul assumiu como deputado nesta manhã alfinetando o Governador Moisés e lembrando que ele se beneficiou das regras vigentes aposentando-se aos 48 anos de idade
20/02/2020 11:48

A reforma da Previdência é uma das bandeiras que o delegado Ulisses Gabriel, empossado deputado nesta manhã em solenidade na Assembleia Legislativa, vai defender durante o período em que exerce a função.

Na entrevista que concedeu ao site, deu o tom do que deve ser seu discurso quando informou que a Reforma enviada pelo Governador Carlos Moisés, do PSL, é diferente da que foi aprovada em âmbito nacional, pelo menos na parte de Segurança Pública.

Enquanto a nacional aprovou para a aposentadoria de Policiais Civis 30 anos de contribuição com 55 anos de idade, em Santa Catarina a proposta é de 40 anos de contribuição com 65 de idade para alcançar os 100%  das contribuições ao se aposentar. 

Mais que isso, a reivindicação que ganha voz com o novo deputado, é que as novas regras não estejam em vigência para os que já estão na ativa. “A regra do jogo tem que ser mudada daqui pra frente. Muitas pessoas ingressaram na Polícia, ou na magistratura ou no Ministério Público com uma regra do jogo em andamento. Então trabalharam 20 anos, ou 25 ou 29 e de repente a regra do jogo muda no meio do caminho, enquanto que o próprio Governador acabou se beneficiando dessa regra e se aposentou com 48 anos de idade”, alfineta.

Quanto ao cenário eleitoral em Orleans, onde tem o nome colocado como pré-candidato a prefeito, Ulisses diz que só vai se dedicar ao assunto após o período em que está na Assembleia. Mas adianta que está em andamento união de partidos de centro-direita, que incluem o PSD, partido de Ulisses, e o PP, contra os de centro-esquerda, apontados como o PSDB e o MDB, do atual prefeito Jorge Kock.

O curioso neste cenário é que o PSDB tem entre seus nomes para a composição como vice, o vereador Lucas Librelato, que é da família de Ulisses. 

 O sr tem uma bandeira que é a Reforma da Previdência que influencia na Policia Civil. Quais seus planos quanto a isso?

 Esse é um projeto, apresentado pelo governador de Santa Catarina,  que impacta diretamente os servidores da Segurança Pública e não só da Polícia Civil mas também de outras carreiras de Estado. Esse projeto faz com que todo servidor em exercício atualmente tenha que trabalhar até os 65 anos de idade e contribuir pelo menos 40 anos para ter direito a uma média de 100% de suas contribuições. Na Polícia Civil é uma situação extremamente complexa em razão do fato de que como um policial que tem que trabalhar 24, 30, 48 horas seguidas em um sequestro por exemplo, ou trabalhando em um plantão de uma delegacia, vai suportar trabalhando até os 65 anos de cidade com essa carga pesada que carrega? Outra situação que deve ser levada em consideração também é fato de que os criminosos hoje na maioria dos casos, tem entre 16 e 18 anos no caso dos menores infratores, e 18 a 30 anos. São indivíduos com uma força física muito forte. Imagine-se que um ou dois policiais com 65 anos de idade vão entrar numa residência, arrombar uma porta e tentar prender um jovem com toda força física eles vão colocar a vida em risco, porque não há a condição física necessária para fazer uma prisão.

 Mas que pode mudar, o que o sr pode propor ou que está em andamento?

A ideia é que se estabeleça uma idade, mínima é claro, mas que esse policial não tenha que trabalhar até os 65 anos para ter direito a integralidade de seus vencimentos. Se ele tiver trinta anos de contribuição e 55 anos de idade, como é no Governo Federal atualmente, foi aprovado na Reforma da Previdência e aqui em Santa Catarina o Governador quer fazer diferente e prejudicar muitos policiais, nós entendemos que deve ter uma idade mínima, 55 anos e 30 de contribuição.  Não fazer que ele trabalhe até 65 anos para ter integralidade. Quem entrou na regra do jogo até a Emenda Constitucional que trouxe a Previdência Complementar, ele teria o direito de se aposentar com essa paridade e integralidade. A regra do jogo tem que ser mudada daqui pra frente. Muitas pessoas ingressaram na Polícia, ou na magistratura ou no Ministério Público com uma regra do jogo em andamento. Então trabalharam 20 anos, ou 25 ou 29 e de repente a regra do jogo muda no meio do caminho, enquanto que o próprio Governador acabou se beneficiando dessa regra e se aposentou com 48 anos de idade. O que queremos é que haja uma equalização com relação ao que se aplica a Polícia Militar, para aos órgãos de Segurança Pública, e entender que a regra do jogo não pode ser mudada no meio.

 O seu nome está no cenário como pré-candidato a prefeito de Orleans. O sr pretende concorrer ao cargo nesse ano?

A candidatura é algo que vou analisar lá na frente. Eu sempre busco me focar muito no meu trabalho. Enquanto Delegado de Polícia, como trabalhei até ontem, e trabalhei até o final do meu expediente, foquei muito no meu trabalho e lá em Orleans a gente conseguiu fazer com que desde julho de 2019 não existisse nenhum crime de roubo. Então estamos oito meses em Orleans sem que exista um crime de roubo, porque todos foram elucidados antes disso e os criminosos foram presos 

 Isso é uma boa bandeira de campanha…

Sim, é uma boa bandeira de campanha. Então no período que estarei na Assembleia vou me dedicar ao trabalho na Assembleia e às demandas da população catarinense. Depois disso vamos levar em consideração essa pré-candidatura a prefeito da cidade de Orleans.

 O que precisa para que o sr decida ser candidato a prefeito? Qual o cenário  precisa ser desenhado?

Na verdade estamos construindo, conversando com diversos partidos, já há um alinhamento do PSD com o PP, há conversas também com o próprio PSL e o PSC e o PL. Partidos que tenham viés de centro direita. Nós faremos uma coalização de centro-direita na cidade de Orleans, contra uma coalizão de centro-esquerda que são os sociais democratas e o próprio MDB. Então a ideia é esse alinhamento. Partidos de centro-direita que sempre estiveram juntos, venceram diversas eleições em Orleans, contra o MDB e o PSDB que foram partidos que nós derrotamos em diversas eleições na cidade de Orleans.

 

 

 

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