Professor Doutor Emílio Streck, coordenador do escritório de Relações Internacionais da Unesc enfatiza que há uma visão diferente no setor, passando a ser mais que o intercâmbio.
09/03/2019 07:17

Com a posse nesta semana dos agentes de internacionalização, a Unesc deu mais um passo para consolidar uma das principais bandeiras hasteadas pela reitora Luciane Ceretta, desde que ela assumiu o comando da Universidade.

Na entrevista que concedeu ao site, o coordenador do Escritório de Internacionalização, professor doutor Emílio Streck, enfatiza que há uma visão diferente no setor, passando a ser mais que o intercâmbio.

Os agentes de internacionalização, de quatro áreas do conhecimento, serão responsáveis por ministrar disciplinas em inglês, buscando a formação na própria Unesc de alunos que possam atuar em qualquer lugar do mundo. Além disso, está em pauta a internacionalização dos currículos de graduação.

Como funciona essa internacionalização? Quais as estratégias adotadas? A produção científica influencia?

Em primeiro lugar a internacionalização tem uma visão diferente da que tinha há alguns anos. Antigamente enxergávamos como internacionalização o intercâmbio. Então isso seria digamos a forma mais importante de internacionalizar. Seguimos buscando acordos de cooperação para enviar alunos, para receber alunos mas hoje temos várias outras ações no sentido de internacionalização.

Quais os benefícios de uma universidade internacionalizada? O que ela tem a mais que o intercâmbio?

O clássico que sempre citávamos quando o assunto é ensino superior, eram três pilares: ensino, pesquisa e extensão. Hoje tem se considerado que o quarto pilar é a internacionalização inclusive no mesmo nível de ensino, pesquisa e extensão. Então o principal diferencial é a questão da formação acadêmica. Porque temos que preparar hoje um aluno que consegue trabalhar em qualquer lugar do mundo. No momento que o aluno faz as atividades de internacionalização ele começa a abrir a mente, ou seja, pensar fora da caixa e isso se torna um diferencial na formação do profissional.

Na Unesc a internacionalização é foco?

É uma das coisas que a reitoria tem apostado. Porque a mobilidade acadêmica foi muito importante por muito tempo mas a gente tem que dar passos além disso. Existem alternativas que estamos começando a implementar com objetivos de internacionalizar mais a Unesc. Já temos muito mas ainda há desafios. Um deles é fazer mais disciplinas em inglês, e a idéia é que aconteça ainda em 2019. Outro dos grandes desafios é o que chamamos de internacionalização dos currículos. Que é montar nossos currículos de graduação e pós pensando naquele aluno que queremos formar, com olhos para o mundo, não somente para a região ou para a cidade .

Quais os convênios que a Unesc tem hoje?

Nós temos vários convênios com várias universidades de diferentes continentes. A modalidade mais comum é o intercâmbio, geralmente o aluno passa meio ano, faz um semestre em outro país e aí dependendo da área de conhecimento há foco em determinado país, pela afinidade e depende de cada convênio. Há um reaproveitamento das disciplinas que ele cursa fora.

Entrevistei o professor João Quevedo, ele mora nos Estados Unidos onde trabalha com pesquisa e que reflete aqui na Unesc. Qual o papel da pesquisa nessa internacionalização da Universidade?

 Talvez a pesquisa seja a forma mais antiga de internacionalização do ensino superior porque um pesquisador que está mais a frente, ele vai em Congresso Internacional, ele tem colaboração com pesquisadores estrangeiros, vai ter de repente uma troca de alunos, vai um aluno para lá ou vem um do exterior, tanto doutorado sanduíche, eventualmente pós doutorado ... No momento que uma universidade desenvolve a pesquisa ela naturalmente vai trazer junto a questão da internacionalização.

Quantos alunos a Unesc tem fora hoje?

Temos sempre editais abertos mas atualmente o número de alunos fora não é grande...

Existe uma média?

Depende do ano, da bolsa... Porque temos vagas em universidades do exterior mas nem sempre temos bolsa. Uma das grandes barreiras hoje é a questão de bolsas. Alguns alunos conseguem bancar os gastos mas há os que dependem de bolsa.

E alunos de fora da Unesc?

Tem bastante, principalmente angolanos. Se não estou enganado tem em torno de cem hoje. Faz alguns anos, tivemos uma grande quantidade de angolanos...

Por que angolanos?

Naquela época foi um convênio que a Unesc fez com a Sonangol, uma empresa petrolífera, com várias vagas em graduação, principalmente em cursos da saúde, que era uma necessidade deles e também alguns de pós graduação.

Existe algum convênio em encaminhamento, semelhante talvez a esse que fizeram com Angola?

Os convênios que temos são mais de mobilidade acadêmica. Temos alguns projetos em vista, um dos nossos objetivos seria ter mais instituições dos Estados Unidos e Canadá. Temos bastante na Europa e América Latina e com Angola. Mas temos que melhorar esse acesso dentro dos Estados Unidos e Canadá. Tem algumas áreas onde digamos assim a ciência de mais qualidade está sendo feita, a saúde é um exemplo, são países importantes nessas áreas. Temos alguns alvos onde vamos tentar trabalhar.

 

 

 

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