Liderança nova no contexto estadual, com dois mandatos como prefeito de Blumenau, Napoleão é a “carta na manga” do PSD para a candidatura ao Governo em 2022.
19/10/2019 11:36

Participante ativo de eventos de reestruturação do PSD em todo o Estado e preparação do partido para as eleições de 2020, o ex-prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes confirmou na entrevista que concedeu à coluna que seu objetivo após o pleito eleitoral de 2018 era a participação em 2022 e que continua recebendo “incentivos” para tal. Falou da intenção de um “intervalo” para reconstrução da vida pessoal mas atribuiu ao PSD a decisão de filiação por ter no partido a oportunidade de conciliar a vida profissional e acadêmica com a política. Liderança nova no contexto estadual, com dois mandatos como prefeito de Blumenau, Napoleão é a “carta na manga” do PSD para a candidatura ao Governo em 2022. 

Qual a sua missão no PSD?

Eu tenho carinho por lideranças, pela militância do PSD, como deixei grandes amigos e tenho muito carinho pelas lideranças e pela militância do PSDB. Mas no PSDB eu cumpri um ciclo, através das eleições municipais e meu projeto, meu objetivo de vida era nesse período entre mandatos poder me dedicar um pouco à vida acadêmica, porque na vida política e nos mandatos que exerci, um de vereador e dois de prefeito em Blumenau, acabei em virtude da intensidade do trabalho de administrar a cidade, não conseguindo avançar também nas minhas outras atividades profissionais e acadêmicas. Aproveitei então esse período para ingressar no doutorado, meu doutorado é na área do direito público, gestão pública e voltei à sala de aula como professor da Universidade. Então na verdade meu projeto pessoal era não ter filiação partidária até 2022 quando uma nova eleição eventualmente eu tenha possibilidade de disputar.

O que o fez escolher o PSD?

Não só escolher o PSD mas esse momento. É o projeto de reestruturação do PSD , a construção desse novo PSD em que o grande objetivo do partido é em primeiro lugar ao invés de discutir nomes, discutir grandes propostas para a sociedade .No caso agora das eleições municipais, O que nos interessa mais do que a discussão de nomes é a discussão  dos valores, princípios e programas que devem nortear as candidaturas. Isso vai valer lá na frente para a eleição de 2022, da mesma forma. O que me motivou ao PSD e nesse momento, porque na verdade, se eu fosse definir por conforto ou comodismo ou segurança, faria uma opção de filiação partidária lá na frente, em 2022, quando é o prazo legal para uma filiação. Então na verdade essa antecipação marca posição, é uma decisão de coragem, de firmeza, no sentido de acreditar num novo projeto que está sendo construído, liderado pelo presidente estadual Milton Hobus em harmonia com todas as lideranças do PSD. Com o presidente da Assembleia, deputado Júlio Garcia, o deputado federal Ricardo Guidi, o ex-governador Raimundo Colombo e toda a bancada estadual e federal.

 O sr citou a intenção de disputar eleições em 2022. Qual o projeto?

Na verdade não tenho assim menção e nem obstinação nesse momento. Estou realmente focado na questão profissional. Então nesse momento não tenho ambição e projeto eleitoral até porque nessa nova construção do PSD algo está muito claro entre todos os líderes: o PSD não tem hoje carta marcada de quem será candidato a que. Então os espaços vão ser construídos naturalmente, passo a passo, pé no chão, ao longo da caminhada.

De qualquer forma, a meta é participar da eleição de 2022...

Na verdade tenho sido bastante incentivado a continuar buscando esse sonho, esse ideal. Me sinto confortável da forma como estou, de contribuir, de somar, com humildade, na formação de candidaturas, no estímulo a novas candidaturas. Estou muito a vontade nessa missão e nessa tarefa. Não é uma obstinação a questão eleitoral embora seja muito estimulado por muita gente a continuar pesando nisso.

 O sr fez parte de uma chapa em 2018, que acabou nem passando para o segundo turno. Tem culpado nessa história? O PSDB colocou o sr numa “fria”?

Não. Cada um tem que ser responsável por suas decisões, eu sou pelas minhas e não há candidaturas por imposição. Fui convocado para uma missão mas aceitei e penso que cumpri bem o papel. Com altivez, representei bem a todos os que acreditaram na minha participação na chapa e me dediquei com intensidade, presença. Fiz uma campanha como ela deve ser feita.

Mas isso pesou na sua decisão de sair do PSDB...

Não. Eu tinha na verdade uma pretensão que era pública, que era a disputa ao senado, a convenção aprovou meu nome para essa candidatura e por força das circunstâncias que eu compreendo e que são naturais na política, houve na última hora a convocação da candidatura a vice-governador e eu aceitei a convocação. Para mim esse é um tema superado. Naquele momento entendi que tinha cumprido bem uma missão eleitoral e entendi que deveria passar um período fora da atividade partidária para reconstrução de minha carreira profissional. Eu tenho 37 anos, comecei na vida pública muito cedo e tive dez anos consecutivos de mandato por isso havia necessidade dessa reconstrução.

Esse sonho que o sr tinha de ser candidato ao senado ainda sobrevive?

O senado seria uma realização de contribuição maiúscula em relação ao Brasil. Eu naquele momento tinha recém  saído de dois mandatos como prefeito, então sabendo exatamente onde o calo aperta em termos de cidade e a gente vê todo esse debate acontecendo no Brasil, todos eles afetam a vida das cidades e a qualificação da gestão pública começa a partir dos municípios. Penso que naquele momento, eu tinha 35 anos de idade, a idade mínima que a constituição exige para ser senador, seria uma renovação literal, Santa Catarina poderia ter dado essa contribuição e eu tinha realmente muito entusiasmo, brilho no olhar e idealismo em relação a isso...

Isso mudou?

Não, mas ficou mais distante. Nada que eventualmente o tempo não possa remotivar.

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